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Crônicas de Um Shopping

Um shopping.
Nesse shopping, várias pessoas.
Entre essas pessoas, eu.

Eu estava sentada em um banco, rodeada de lojas e pessoas. Todas aquelas coisas atraindo os olhares consumistas, que tanto desejavam ter, por exemplo, um sapato, mas não podiam. Este triste fato de querer muito, poder pouco, e possuir menos ainda. Tantas pessoas desejando o que querem, mas não possuem o suficiente para ter mais. E aquela tristeza toma conta dos olhares, e o semblante começa a murchar. Simplesmente porque não pôde ter o que queria.

Na outra ponta do banco há uma senhora. Entre nós, as muitas bolsas de compras delas. Não demonstra nem um pouco de preocupação; pelo contrário, está até feliz. Provavelmente está esperando alguém. Talvez seja o ponto de encontro com alguma amiga, ou está esperando o marido sair do banheiro.

Ah, estava esperando uma amiga. Ela chega, e as duas começam a tirar as bolsas do banco para que ela pudesse se sentar. E por lá mesmo ficam tagarelando sobre coisas que eu não me lembro muito bem, até porque eu não sou fofoqueira. Mas me lembro que o nome da mulher que sentara entre nós era o mesmo que o meu.

Elas saem rumo aos delírios do consumismo novamente. E, na outra ponta do banco, onde havia uma mulher e suas sacolas, agora há um homem. Talvez estivesse só dando uma volta, já que se vestia de uma forma bem relaxada: chinelos nos pés, uma bermuda e uma camiseta sem mangas. Proposital só para mostrar os músculos? Talvez. Ele realmente tinha forma de quem malhava.

Não pude prestar tanta atenção assim nele porque, logo após a chegada desse homem, um daqueles rapazes contratados para limpar o piso do shopping de vez em quando chegou freneticamente com os seus patins, uma vassoura e talvez um pouco de pressa. Eu mesma não sei andar de patins, então não sei como ele podia fazer aquilo tão rapidamente. Não sei se ele estava entediado por ter de fazer aquilo o dia todo. Não sei se estava frustrado por não ter um emprego melhor. Provavelmente já estava cansado de, talvez, pensar que de noite ainda iria para a faculdade. Só sei que ele fazia o seu trabalho muito bem.

O rapaz desconhecido vai patinar e varrer por outros lugares do shopping, o que me dá liberdade para prestar um pouco mais de atenção nos anônimos que circulam naquele lugar. Bom, nem todos são anônimos completos. Mais de uma vez eu encontrei um repórter bem famoso por aqui na livraria. Tirei até uma foto dele.

Eu simplesmente começo a analisá-las. Há homens, mulheres, jovens, adolescentes, crianças, idosos. Muitos. Cada um com a sua maneira de ser, de falar. Mas aí eu percebi uma coisa: as pessoas começaram a se separar em calça/bermuda/short e saia/vestido. Inclusive eu era uma de saia.

E ficava naquilo: calça - saia - calça - saia - saia - vestido - calça - short - short - saia.
Toda aquela troca de semblantes, personalidades e vestimentas estava começando a me deixar com náuseas. Náuseas provocadas mais pela angústia. Nós, as pessoas do "movimento da saia", sendo diferenciadas de quem não é cristão só pelas roupas. Isso não era pra ser um pouco... triste?

Não era para nós realmente sermos diferentes nas nossas atitudes também? Não devíamos olhar para um não-crente com um olhar de amor, e não de desprezo? Não devíamos ter coragem de falar do amor de Deus para, pelo menos, uma dessas pessoas que estão passando ao nosso lado ao todo instante? Não devíamos estar com o coração pegando fogo de tanta vontade de compartilhar com essas pessoas que "andam de short e bermuda" tudo o que nós podemos desfrutar juntos vivendo para Deus?

Eu me pergunto agora onde estão os verdadeiros cristãos: os cristãos missionários! Que estão dispostos a ultrapassar as barreiras de todo o preconceito que pode existir entre cristãos e não-cristãos para poder falar abertamente de como Deus pode mudar as nossas vidas! Aqueles que estão dispostos a sentir as mesmas dores e aflições que alguém que não serve a Deus ainda sente! Aqueles que já sacaram que, por mais que elas pequem, nós também somos pecadores! Que, do mesmo jeito que Jesus morreu na cruz por nós, Jesus morreu na cruz por eles! Do mesmo jeito que Deus nos ama incondicionalmente, Deus também ama incondicionalmente a eles! E sabem que muitos deles morrem de sede, de fome, do amor que eles precisam para poder preencher esse vazio enorme que existe dentro deles, e que um dia já existiu dentro de nós! E uma só conversa, uma só palavra, um só sorriso, um só olhar de esperança pode mudar o rumo da história de uma pessoa dessas, que está circulando por esse shopping cheio de perturbações, sonhos e desejos!

Deus quer muito mudar a vida de todos os que estão presentes nesse shopping!
Então você e eu vamos tomar vergonha na cara, colocar o joelho no chão e dizer: "Pai, me perdoe por ser tão hipócrita, dizendo que te amava quando, na verdade, não sei amar nem aqueles que não te servem! Que do mesmo jeito que Tu me amas, eu possa Te amar e amar o meu próximo! Me ajude a tomar atitudes que dizem que o meu coração está ardendo em chamas por essas almas que estão perecendo!"

E, assim, Deus vai poder mudar a vida de todas essas pessoas. De todos esses semblantes.


Um shopping.
Nesse shopping, várias pessoas.
Entre essas pessoas, eu.
E você.

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